Domingo, 2 de Novembro de 2008
Escolhas
Escolhas
No gosto azedo da tua apatia percebo o pouco que restou do nó(s); o laço reside agora no compromisso de manter silêncios. Se os olhares se cruzam, desassossego egípcio. A sede de inventar indiferenças recíprocas é latente quando se carrega um coração impermeável ao esquecimento. Há qualquer coisa de repetitivo em tudo isso que me suga. Assusto-me com a insigne racionalidade das falsas explicações que justificam a soma das partes - nunca o todo. Se insisto em dizer "me bastam", minto. As frases soltas só (me) confundem ao esboçar a incompletude dos teus atos. Tardo a refulgir sorrisos porque finjo não ter mais pressa. O ritmo descompassado dos meus batimentos reflete os atrasos do "adeus" desviado. A raiva é apenas um ensaio para traçar esse novo caminho de reticências; talvez eu encontre algum sentido nas linhas descontínuas de avenidas alheias a ti.
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
(...)
Quimeras madrugada adentro já não conseguem dar conta de tanto absurdo; fogem a qualquer rastro de sensatez ou de loucura e ladeiam cada vez mais o insuportável/decadente com o passar das horas. Não concebo a lógica necessária para tolerar tais tolices. Já ensaiei, em meio à solitude, ameaças diante do espelho; surtos que me acometem de quando em vez ao pensar que até mesmo essa raiva é em vão. Continua difícil não te esperar por entre flores e búzios, mas agora, se, de fato, (te) aguardo, ao menos fazem-me companhia as três pedras que seguro na mão.
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
I couldn't miss it
I couldn't miss it
O dia reflete a leveza das novidades. Esse ritmo atípico emana cores que dão uma tonalidade jubilosa e prazenteira às percepções da idade recém-chegada; outra idade sentida pela primeira vez, outra idade que traz consigo um mundo inteiro de possibilidades, outra idade que te permite voar por entre cenários do que você já foi, é e tornar-se-á... Abrilhanta-se diante dos olhos um ser humano cheio de atributos, abençoado com mais um ano para corrigi-los ou aperfeiçoá-los. Ainda que a roleta da vida aponte decursos completamente opostos para nós, continuarei ao longe desejando a ti semáforos sempre verdes para os sonhos prestes (ou não) a se realizar, casacos que dissipem o frio das decisões erradas, capacidades mutáveis que te façam se adequar às mais variadas situações... Desejo também que você saiba apreciar as gotas de chuva em um fim de tarde, que seja capaz de sentir toda a intensidade dos amores, a cumplicidade dos amigos e a beleza do que te invade, que aceite a imperfeição e possa perdoá-la, que se vista de humildade e não use as vitórias pessoais para se ostentar... Enfim, muita luz para você!
Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
admirável sofrimento novo
admirável sofrimento novo
as palavras me fogem o tempo todo: não consigo verbalizar o que acontece ou deixa de acontecer na minha (mais do que) insuportável rotina. os dias se perdem em lágrimas e eu me encontro por entre soluços. espero ansiosamente por aquilo que não é viável (em um grau que beira o impossível) e haja insensatez, amigo! não sei medir a intensidade das coisas que me invadem, tampouco vejo onde, como ou por que perdi tantos pedaços... voltei a colecionar silêncios e ser só metades.
oh, ford, eu quero soma!
oh, ford, eu quero soma!
Sábado, 26 de Julho de 2008
(...)
Vontade é sinônimo de ausência - ao menos ultimamente. Se quero, não tenho, e esse vazio vem me ocupando a metade de todas as coisas. Parece uma incompletude tão minha que já nem sei se sou sem ela e se posso culpar alguém por não entender o que isso representa. Os dias ficaram cinzentos, ainda que o azul esteja a estampar o céu. As músicas, nesses dias cheios de falta, reluzem como o brilho de uma faca e arrebatam qualquer traço de sanidade em mim. A melodia calma é palco para explosões de sentimentos intensos. Ouvir Zé Ramalho, de repente, evoca outras conotações e me faz permanecer - por tempo aparentemente indeterminado - sentada num chão de giz.
Os devaneios tolos são os que torturam mais.
Os devaneios tolos são os que torturam mais.
Domingo, 6 de Julho de 2008
Into dust
Into dust
A noite (nos) enlaça nós. O acaso os desfaz. Assisto - relutando - a esse desvanecer. Parte de mim se esvai junto aos vínculos. Parte de mim é exilada, afastada fugazmente dos outros pedaços. Já conheço o ritmo da despedida; sei as dores que vai deixar. Quisera eu ilhar a saudade que ainda não existe para manter distante a agonia de te ver partir.
Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Once
Once
Dias como hoje despertam um lado meu mais nostálgico que o de costume. Acordo enleada a recordações, completamente aturdida. Esse voltar-se para o passado me desbarata por completo e dilacera os vestígios de razão em mim (o pouco que ainda havia). Fico à espera de algo sem nome, sem cor, sem nada. Espelho minhas vontades ao que desejei antes porque já sei como suprir essas lacunas. Queria não mais fazer "das lembranças um lugar seguro". Não me convém respirar o tempo que passou, mas parece ser o que me resta; o presente não se mostra suficientemente hábil para me encher os pulmões.
