A sala, lugar de não estar, era o palco da espera. A moça fitava a escada, que há pouco sentira a completude dos passos dele, como se um tesouro estivesse escondido ali. O destino, demasiado generoso como foi (tornando recíprocos os olhares impossíveis), exigia que se esforçasse para merecer o gesto; aguardar o jovem rapaz de cabelos loiros descer novamente os degraus parecia, então, a forma mais sensata de contemplar esse imperioso pedido.
Suas mãos seguravam qualquer coisa de concreto para evitar a iminente entrega; no primeiro toque e lá se ia o coração - sabia. Cinco minutos ou cinco horas depois (perdera as contas), o aroma veementemente masculino invadiu o sofá e a sua cabeça... Ele chegou. Por entre suspiros abafados, o coração dançava descompassado. Ensaiou inúmeras vezes algo inteligente para dizer, mas só conseguia balbuciar cumprimentos num idioma que, definitivamente, não era o inglês.
Os olhos dele ardiam em tons conflitantes de azul e a voz soava feito bossa nova no silêncio agora interrompido. Foram, naquele momento, duas almas que, sedentas por musicalidade, permitiram encontrar-se e encantar-se...
Até que a canção tocasse na hora errada (e, sim, ela haveria de tocar).
Os olhos dele ardiam em tons conflitantes de azul e a voz soava feito bossa nova no silêncio agora interrompido. Foram, naquele momento, duas almas que, sedentas por musicalidade, permitiram encontrar-se e encantar-se...
Até que a canção tocasse na hora errada (e, sim, ela haveria de tocar).
