[cancer chapter]
No começo, optei por não me expressar; não queria dizer nada porque sentir já era suficientemente cruel... "Falar sobre" implicaria entrar ainda mais em contato com aquele caos todo e - convenhamos - lidar com a própria bagunça psíquica é por demais desgastante.
No começo, optei por não me expressar; não queria dizer nada porque sentir já era suficientemente cruel... "Falar sobre" implicaria entrar ainda mais em contato com aquele caos todo e - convenhamos - lidar com a própria bagunça psíquica é por demais desgastante.
Vesti sorrisos - o que causou estranheza. Confesso que (re)agir friamente diante das impossibilidades foi a máscara que melhor me caiu; a ilusão que a superficialidade lhe dá, por beirar o verossímil, tende a te suprir temporariamente.
De tanto usá-la, tal máscara acabou sendo uma extensão de mim. Tentei tirá-la e, aos prantos (sem sorrisos ou fortalezas), nem me reconheci.
O fato é que agora, embora continue sem querer, preciso verbalizar por uma simples questão de sobrevivência. Sou constantemente sufocada pelo silêncio que eu mesma impus. O peso de sentir ultrapassa os limites do corpo físico e me dói cada palavra não dita...
That's what cancer does.
