domingo, 24 de janeiro de 2010

E só eu que podia...


A melodia dos teus olhos desdobrou-se gradualmente em torno dos meus... Senti o mundo reduzir-se a nada, restando apenas o que havia de mútuo em nós. Tuas mãos, ágeis, tomaram-me de encanto enquanto construíam indefinivelmente a mágica do momento. Nossos segredos de liquidificador estremeciam joelhos e afloravam todos os quês ocultos por tanto tempo... Assisti ao desfalecer da sensatez; o inebriar do teu sorriso fez desviar a atenção de qualquer traço de discernimento ou juízo ainda resistente em nós.

Foi, de fato, uma pena acordar...

sábado, 23 de janeiro de 2010

A não-anunciação


Por ora, estou entregue às paixões - sem lenço, documento ou amor próprio. Não racionalizo ou concebo o para além do agora... Sim, eu fujo. Fujo da espera vasta e de seu consequente inalcançável prometido. Fujo da sensibilidade à mostra, tremeluzindo o medo por entre faíscas de ilusões. Fujo do fascínio dos sonhos que se apresentam sem fundamento a qualquer coração que não o meu...

Há urgência em viver - ainda que mentiras sinceras.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Clichê

"Teu engano foi esperar por um bem
De um coração leviano que nunca será de ninguém
(...)"


Entre o sibilar do acaso forçado e a concretização plena das vontades não silenciadas: suspiros. De sobressalto, contudo, fez-se despótica a possibilidade mais contundente. Embora traços de negação tenham sido esboçados, frutos de mais um copo entornado, cheguei - sem muito relutar - ao lugar-comum que cansei de conhecer. Tua expressão dúbia corroborou a atrocidade do momento. Senti a respiração, agora anelante, ruborizar parte da minha face. E ao perceber aquela - velha - dor violenta e rápida se apoderar do que havia de sóbrio em mim, mudei de calçada aos tropeços. A desilusão era manifestamente incontestável.

Não és desirmanado deste conjunto infame de corações levianos...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ah, baby...


Tu, com estes olhos de possibilidade, fizeste-me criar jardins. Iludida, deixei florecer em mim a vontade de te rasgar os medos e matar os cem dragões acorrentados na incerteza que move os teus passos. Nem sei se, de fato, és como te tenho ou te enxergo, mas a simples idéia de ti me foi o bastante para destruir torres a fundo...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tu in absentia


Nada sei sobre o teu regresso. Cá permaneço, folheando páginas de um calendário que nem possuo enquanto a espera enche o quarto de desalento. Ah, a surpresa dos desencontros: esses infortúnios que trazem as perturbações do ânimo como escudo... O acaso, de fato, tem um quê burlesco.


Afinal, o que são duas terças em 365 dias?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

One





Nos teus desejos não há calma. Já olvidei os vendavais de medo que essa urgência causou em mim. Embora o que eu conheça deles seja apenas o rascunho que teus dedos deixaram em minha nuca, há algo de inebriante - e assustador - em tudo isso... Percebo o quanto, por culpa ou descuido, perdi o controle de mim. Não sou mais senhora dos meus anseios. Tudo aqui é assimétrico porque o agora se encaixa em ti.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Casa pré-fabricada






Optei por estar ali e tampouco estar ali. Conheceste, então, uma versão desafinada de mim. Cheguei-te ao peito, cantando-lhe as possibilidades alheias a nós e, de ti, restou-me isso: silêncios. Agradeço. Não quero te encantar com falsas promessas. Prefiro ter saudades da musicalidade das tuas mãos a transformar meu muro de lembranças em um quadro branco sem memórias.

Às vezes volto àquela primeira noite. Retorno à inocência dos olhares que, tarde ou cedo, estariam em correspondência um com o outro. E estas sortes - as que não são nossas - exibem tudo que poderíamos ter sido...